01, 08,15 e 22/03/2018 - Didática Teoria da Instrução e do Ensino
DIDÁTICA: TEORIA DA INSTRUÇÃO E DO ENSINO
1. Conceituação
Segundo Libâneo a didática é uma das disciplinas da pedagogia que estuda o processo de ensino através dos seus componentes:
- Os conteúdos escolares;
- O ensino;
- A aprendizagem.
Para com o embasamento numa teoria da educação, formular diretrizes orientadoras da atividade profissional dos professores.
Já a instrução se refere ao processo e ao resultado da assimilação sólida de conhecimentos sistematizados e do desenvolvimento de capacidades cognitivas. O núcleo da instrução são os conteúdos das matérias.
Assim o ensino consiste no planejamento, organização, direção e avaliação da atividade didática, concretizando as tarefas da instrução; o ensino inclui tanto o trabalho do professor como a direção da atividade de estudo dos alunos.
Tanto a instrução como o ensino se modificam em decorrência da sua necessária ligação com o desenvolvimento da sociedade e com as condições reais em que ocorre o trabalho docente.
É nessa ligação que a didática se fundamenta para formular as diretrizes orientadoras do processo de ensino.
2 . Sínteses
A Didática como atividade pedagógica escolar
A didática é uma disciplina pedagógica porque assegura a atividade pedagógica na escola. Como já citado anteriormente, nesta mesma publicação, a disciplina da pedagogia a didática estuda o processo de ensino através dos conteúdos escolares, o ensino e a aprendizagem o que a torna fundamental na nossa formação como professores.
Para compreender a didática como atividade pedagógica escolar é preciso juntar mais dois conceitos aos já citados:
- O currículo: que nos mostra os conteúdos da instrução, para cada estagio da vida escolar.
- A metodologia: que é basicamente o estudo dos meios empregados para fundamentar e esclarecer o conteúdo a ser exposto.
Os temas elementares da didática são:
- Os objetivos sociais, políticos e pedagógicos da edução;
- Os conteúdos escolares;
- Os princípios didáticos;
- Os métodos de ensino;
- A avaliação da qualidade.
Objeto de estudo: os processos de instrução e do ensino
O objeto de estudo dá didática é o processo de ensino, campo principal da educação escolar.
Delimitamos o processo de ensino quando o ensino permite as tarefas de instrução, considerando o seu conjunto que inclui:
- Conteúdos dos programas e dos livros didáticos;
- Os métodos e formas organizativas do ensino;
- As atividades do professor e dos alunos e por fim;
- As diretrizes que regulam e orientam esse processo.
Assim podemos definir o processo de ensino como uma sequência de atividades do professor e dos alunos, para futura assimilação de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades, através das quais o aluno aprimora sua capacidade de pensar independente mostrando assim, que o ensino não é só transmissão de informações do professor para o aluno.
Os componentes do processo didático
O
professor precisa perceber a complexidade da atividade de ensinar que envolve
condições internas e externas das situações didáticas. Dominar essas condições
e lidar com elas é uma das tarefas básicas do professor para a condução do
trabalho docente.
O
processo didático está conectado na relação entre ensino e aprendizagem se
refere à relação entre o aluno, o professor e o conteúdo. Entender o processo
didático como total amplo implica associar conteúdo, ensino e aprendizagem a
objetivos sociopolíticos e pedagógicos a analisar meticulosamente o conjunto de
condições concretas que cercam cada situação didática.
Desenvolvimento histórico da Didática
A
história da didática está ligada ao aparecimento do ensino, como atividade
planejada e intencional dedicada à instrução. Os primeiros indícios de
instrução a aprendizagem tem como exemplo as comunidades primitivas, onde os
jovens passavam por um ritual para ingressarem no mundo adulto.
A
formação da teoria didática para investigar as ligações entre o ensino e
aprendizagem ocorre no século XVII, quando João Amós Comênio (1592-1670),
escreve sobre didática, a Didaca Magna. A
didática de Comênio se assentava nos seguintes princípios:
- A educação é um direito natural de todos e
tem finalidade de conduzir à felicidade com Deus;
-
O homem deve ser educado de acordo com o seu desenvolvimento natural, de acordo
com as características de idade e capacidade para o conhecimento;
- Os conhecimentos devem ser adquiridos a partir da observação das coisas e dos
fenômenos naturais;
-
O método intuitivo consiste da observação direta das coisas para o registro de
impressões na mente do aluno.
Comênio
criou métodos de instrução mais rápidos
e eficientes e desejava que todas as pessoas usufruíssem do conhecimento, mas a
sua ideia de que a única via de acesso ao conhecimento era a experiência
sensorial não foi suficiente, pois nossas percepções frequentemente sofrem
engano.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778) foi um
pesquisador que propôs uma concepção nova de ensino, baseada nas necessidades e
interesses imediatos da criança. As idéias mais importantes de Rousseau foram:
-
A preparação da criança para a vida futura deve ser baseada no estudo das
coisas relacionadas as suas necessidades e interesses atuais;
-
Os verdadeiros professores são: a natureza, a experiência e o sentimento;
-
A educação é um processo natural e as crianças são boas por natureza, elas têm
uma tendência natural para se desenvolverem.
Rousseau não colocou em prática suas teorias.
Essa tarefa coube a outro pedagogo suíço Henrique Pestalozzi (1746-1827). Ele
considerava importante levar os alunos a desenvolverem senso de observação,
análise dos objetos e fenômenos da natureza e capacidade linguística. Nisto
consistia a educação intelectual.
Um
dos mais importantes pedagogos influenciados por Rousseau e Pestalozzi foi Johann
Friedrich Herbart (1766-1841). Segundo sua teoria a moralidade era p fim o fim
do processo educacional. O homem deveria ser instruído para querer o bem, de
forma que comandasse a si próprio. A instrução deveria
inserir ideias corretas na mente dos
alunos e o professor é o arquiteto da mente. Esse método consiste em provocar a acumulação de
ideias na mente da criança.
Herbart
estabeleceu quatro critérios didáticos que deveriam ser seguidos rigorosamente:
-
Clareza: apresentar a matéria
nova de forma clara e completa;
-
Associação: associar ideias
antigas e novas;
-
Sistematização: sistematizar
conhecimentos;
-
Método o uso dos conhecimentos adquiridos através dos métodos.
O
sistema pedagógico adotado por Herbart contribuiu na organização da prática
docente, mas o ensino, nessa teoria, é entendido
como repasse de ideias do professor para o aluno,
impossibilitando a troca de
experiências. Os alunos devem
transmitir o que o professor fala, impedindo o desenvolvimento da atividade mental,
da reflexão e do pensamento independente dos alunos.
Essas
ideias pedagógicas formaram as bases do pensamento pedagógico europeu e se
difundiram pelo mundo. Esses pensamentos foram responsáveis por demarcar
concepções pedagógicas conhecidas como:
Pedagogia tradicional: afirma que as ações dos agentes externos
influenciam na formação do aluno. A transmissão do saber é constituído na
tradição e nas verdades acumuladas. E as impressões de imagens propiciadas pela
palavra do professor e pela absorção sensorial são levadas em consideração.
Pedagogia renovada: agrupam ideias que defendem a renovação escolar,
diferente da pedagogia tradicional. Entre as características desse movimento
destacam-se: valorização da criança, tratamento científico do processo educacional,
respeito às capacidades e aptidões individuais, respeitar os ritmos de
aprendizagem.
Dentro
das ideias de escola renovada, uma das mais destacadas corrente foi a Pedagogia
pragmática, seu principal representante é Jonh Dewey (1859-1952). Dewey e seus
seguidores reagem à concepção da educação pela instrução, advogando a educação
pela ação. A escola não prepara para vida, ela já é a vida e a educação é o
resultado da interação entre organismos e o meio através da experiência e da
reconstrução da experiência.
A
corrente do movimento escolanovista mais predominante no Brasil foi à pragmática.
E uma das correntes da pedagogia renovada que não tem um vínculo direto com o
movimento da escola nova é a Pedagogia Cultural.
Sua
característica principal é focalizar a educação
como fato da cultura. O professor
tem o trabalho de dirigir e encaminhar a
formação do aluno pela apropriação de valores culturais.
O
estudo teórico da pedagogia no Brasil passa por um reavivamento. Tais estudos
convergem para a formulação de uma teoria crítico-social da educação, a partir
da crítica política e pedagógica das tendências e correntes da educação
brasileira.
As tendências pedagógicas no Brasil e a Didática
Nos últimos anos, diversos estudos têm
sido dedicados à história da Didática no Brasil, suas relações com as
tendências pedagógicas e à investigação do campo de conhecimentos. No Brasil,
as tendências pedagógicas são classificadas em dois grupos: as de cunho liberal: Pedagogia Tradicional,
Pedagogia Renovada e Tecnicismo Educacional; e as de cunho progressista: Pedagogia Libertadora e Pedagogia
Crítico-Social dos Conteúdos.
Pedagogia
Tradicional
A Didática é uma disciplina normativa, um conjunto de princípios e
regras que regulam o ensino. A atividade de ensinar é centrada no professor que
expõe e interpreta a matéria. Às vezes são utilizados meios como a apresentação
de objetos, ilustrações, exemplos, mas o meio principal é a palavra, a
exposição oral. Supõe-se que ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os
alunos "gravam" a matéria para depois reproduzi-la, seja através das
interrogações do professor, seja através de provas. Para isso é importante que
o aluno "preste atenção", porque ouvindo facilita-se o registro do
que se transmite na memória. O aluno é, assim, um recebedor da matéria e sua
tarefa é decorá-la.
Pedagogia
Renovada
Inclui várias correntes: a Progressivista (que se baseia na teoria
educacional de John Dewey), a não-diretiva (principalmente inspirada em Carl
Rogers), a ativista-empiritualista (de orientação católica), a culturalista, a
piagetiana, a montessoriana e outras. Todas de alguma forma estão ligadas ao movimento
da pedagogia ativa que surge no final do século XIX como contraposição à
Pedagogia Tradicional.
Didática
Da Escola Nova Ou Didática Ativa
É entendida como "direção da aprendizagem", considerando o
aluno como sujeito da aprendizagem. O que o professor tem a fazer é colocar o
aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e
estimulando os seus interesses, possa buscar por si mesmo, conhecimentos e
experiências. A ideia é a de que o aluno aprende fazendo, no sentido de
trabalho manual, ações de manipulação de objetos.
Trata-se de colocar o aluno
em situações em que seja mobilizada a sua atividade global e que se manifesta
em atividade intelectual, atividade de criação, de expressão verbal, escrita,
plástica ou outro tipo. O centro da atividade escolar não é o professor nem a
matéria, é o aluno ativo e investigador.
O professor incentiva, orienta,
organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de
características individuais dos alunos. Por isso a didática ativa dá grande
importância aos métodos e técnicas como trabalho de grupo, atividades
cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações etc., bem
como os métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos.
Os
adeptos da Escola Nova costumam dizer que o professor não ensina, antes, ajuda
os alunos a aprender, ou seja, a Didática não é a direção do ensino, é a
orientação da aprendizagem, uma vez que esta é uma experiência própria do aluno
através da pesquisa, da investigação.
Didática
Moderna
Surgiu a partir dos anos de 1950, sendo
uma proposta de Luis Alves de Mattos. A Didática Moderna é inspirada na
pedagogia da cultura, corrente pedagógica de origem alemã. Mattos identifica
sua Didática com as seguintes características: o aluno é o fator pessoal
decisivo na situação escolar; em função dele giram as atividades escolares para
orientá-lo e incentivá-lo na sua educação e na sua aprendizagem, tendo em vista
lhe desenvolver a inteligência e
formá-lhe o caráter e a personalidade.
O professor é o incentivador, orientador
e controlador da aprendizagem, organizando o ensino em função das reais
capacidades dos alunos e do desenvolvimento dos seus hábitos de estudo e
reflexão. A matéria é o conteúdo onde se encontram os valores lógicos e sociais
a serem assimilados pelos alunos; está a serviço do aluno para formar as suas
estruturas mentais, e por isso, sua seleção, dosagem e apresentação.
Vinculam-se às necessidades e capacidades reais dos alunos. O método representa
o conjunto dos procedimentos para assegurar a aprendizagem, isto é, existe em
função da aprendizagem, razão pela qual, a par de estar condicionado pela
natureza da matéria, relaciona-se com a psicologia do aluno.
Definindo
a Didática como disciplina normativa, técnica de dirigir e orientar eficazmente
a aprendizagem das matérias tendo em vista os seus objetivos educativos, Mattos
propõe a "Teoria do Ciclo Docente", que é o método didático em ação.
O ciclo docente, abrangendo as fases de planejamento, orientação e controle da aprendizagem
e suas subfases, é definido como “o conjunto de atividades exercidas, em
sucessão ou ciclicamente, pelo professor, para dirigir e orientar o processo de
aprendizagem dos seus alunos, levando-o a bom termo”. É o método em ação.
Tecnicismo
Educacional
Embora seja considerada como uma
tendência pedagógica, inclui-se, em certo sentido, na Pedagogia Renovada.
Desenvolveu-se no Brasil na década de 1950, à sombra do progressivismo,
ganhando nos anos 60 autonomia quando constituiu-se especificamente como
tendência, inspirada na teoria behaviorista da aprendizagem e na abordagem
sistêmica do ensino.
A Didática instrumental está
interessada na racionalização do ensino, no uso de meios e técnicas mais eficazes. O sistema de instrução se compõe
das seguintes etapas:
- Especificação de objetivos
instrucionais operacionalizados;
- Avaliação prévia dos alunos para
estabelecer pré-requisitos para alcançar objetivos;
- Ensino ou organização das
experiências de aprendizagem;
- Avaliação dos alunos relativo ao que
se propôs nos objetivos iniciais.
O arranjo mais simplificado dessa sequência
resultou na fórmula: objetivos, conteúdos, estratégias, avaliação. O professor
é um administrador e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a
serem executadas e dos meios necessários para atingir os objetivos.
Pedagogia
Libertadora
Retomou
as propostas de educação popular dos anos 60, refundindo seus princípios e
práticas em função das possibilidades do seu emprego na educação formal em
escolas públicas, e inicialmente tinha caráter extraescolar, não oficial e
voltada para o atendimento da clientela adulta.
Na Pedagogia Libertadora, o professor
se põe diante de uma classe com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos.
A atividade escolar é centrada na discussão de temas sociais e políticos, em um
ensino centrado na realidade social, em que o professor se põe diante da classe
com a tarefa de orientar a aprendizagem dos alunos, em que professor e alunos
analisam problemas e realidade do meio socioeconômico e cultural, da comunidade
local, com seus recursos e necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente
a esses problemas e realidades.
O trabalho escolar não se assenta,
prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de
participação ativa nas discussões e nas ações práticas sobre questões da
realidade social imediata
Pedagogia
Crítico-Social
Inspirou-se no materialismo histórico
dialético, constituindo-se como movimento pedagógico interessado na educação
popular, na valorização da escola pública e do trabalho do professor, no ensino
de qualidade para o povo e, especificamente, na acentuação da importância do
domínio sólido por parte dos professores e alunos, dos conteúdos científicos do
ensino como condição para a participação efetiva do povo nas lutas sociais.
Para essa tendência pedagógica, o ensino consiste na mediação de
objetivos-conteúdos-métodos, que assegure o encontro formativo entre os alunos
e as matérias escolares, que é o fator decisivo da aprendizagem.
Postula para o ensino a tarefa de
propiciar aos alunos o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades
intelectuais, mediante a transmissão e assimilação ativa dos conteúdos
escolares, articulando, no mesmo processo, a aquisição de noções sistematizadas
e as qualidades individuais dos alunos que lhes possibilitam a autoatividade e
a busca independente e criativa das noções.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática: Teoria da Instrução e do Ensino. In: LIBÂNEO, José
Carlos. Didática. 14ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.
http://professormarcianodantas.blogspot.com/2011/11/tendencias-pedagogicas-no-brasil-e.html Acessado em 25/06/2018 às 16:08.
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